Eu ainda aguardava minha bagagem junto à esteira rolante do aeroporto, quando o telefone celular tocou.
- “Papai está passando mal, você tem que vir pra cá agora!” Disse minha irmã com a voz bastante preocupada.
Chegando ao posto de atendimento médico, a cena que vi cortou meu coração! AVC hemorrágico! Seu lado direito e a fala estavam comprometidos!
Começava naquela noite, véspera do dia da Independência do Brasil, uma jornada de sofrimento, dedicação e muito aprendizado.
Meu pai sempre foi um homem de vida simples, de muitos amigos e aparentemente sem vícios que poderiam lhe causar grandes males no futuro. De pouca conversa e muito trabalho, era do tipo conservador, provavelmente fruto de uma criação familiar também muito conservadora.
Já no hospital, internado, além das seqüelas decorrentes do AVC, veio à tona uma deficiência renal já existente, agora agravada pelo Acidente Vascular Cerebral.
Eu ali de pé num canto do quarto, com o coração apertado, observava aquele senhor de setenta e três anos de idade, sendo virado e revirado por jovens enfermeiras, que com técnica e paciência, lhe davam banho, trocavam a fralda e limpavam suas fezes e urina. Isso mesmo! Ele estava usando fraldas! Voltara a ser criança novamente. Dependente de tudo e de todos!
Enquanto acompanhava o trabalho das “meninas”, por um momento afastei da mente a preocupação com a doença e fiquei a pensar na importância da enfermagem, não apenas como profissão, mas também como missão de vida! Era um grupo de alunas da FAESA, muito bem orientadas pela professora Maristela.
Com a cautela e dúvidas normais de quem está “estreando” no ofício, demonstraram segurança nas ações. Não ficaram constrangidas diante da nudez de meu velho pai, nem desanimadas com o esforço físico e o mau cheiro que tiveram de enfrentar.
Num gesto de profunda sensibilidade, a professora Maristela aproximou-se da mulher do meu pai, que chorava de tristeza noutro canto do quarto, lhe deu um abraço confortador e falou palavras de otimismo. Mais do que uma aula de enfermagem, a Mestra deu naquele momento, uma verdadeira lição de vida!
Terminado o trabalho de higiene, conversei um pouco com Mariana e Priscila sobre a escolha daquela profissão e suas expectativas futuras. “Escolhemos a enfermagem porque gostamos de ajudar as pessoas”, me disseram elas com uma segurança de emocionar qualquer ser humano. Nós, sociedade e Governo, precisamos valorizar cada vez mais esses profissionais da vida.
Foi muito bom constatar também a excelente qualidade dos serviços prestados pelo Hospital Evangélico, que a despeito das dificuldades normais de uma instituição que depende de contribuições, mantém um alto padrão de limpeza, atendimento, competência e simpatia de seus profissionais. Sou muito grato por tudo isso!
Enquanto as enfermeiras cuidavam do papai, percebi uma lágrima escorrer-lhe pelo canto do olho. Era a dor do sofrimento psicológico, do constrangimento de ser tocado nas partes mais íntimas, sem poder se cobrir ou reagir.
Essa experiência difícil me levou a refletir sobre o tempo da velhice, suas doenças e dificuldades. Um período da vida para o qual talvez muitos de nós não estejamos preparados e nem nos preparando.
Adotar um estilo de vida saudável, manter-se informado sobre as doenças e o modo de evitá-las, visitar o médico regularmente e manter um diálogo franco e aberto com o cônjuge e os filhos, são práticas que poderão nos proporcionar uma velhice muito mais agradável.
O sábio escritor bíblico, em Eclesiastes 12.1-8, descreve de forma bem real, o sofrido quadro da velhice. Um tempo de braços e pernas enfraquecidos, número de dentes reduzidos, visão, fala e audição diminuídas, medo e espanto constantes, fraqueza e falta de apetite. A morte parece se aproximar rapidamente de forma assustadora! A palavra de Deus, através do texto sagrado, nos dá o seguinte conselho diante desse quadro: “Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade”.
Buscar a Deus na juventude, será sem sombra de dúvida o melhor preparo para a velhice!
Vitória, 02 de outubro de 2007
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Júlio Elcio dos Santos
Analista Administrativo da VALE e
Estudante de Administração de Empresas da Faculdade Estácio de Sá de Vitória
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
terça-feira, 27 de novembro de 2007
O Milagre de Milena
Da varanda, chamei pela moradora da casa. Naquela hora pude ouvir um choro forte de criança como quem a reclamar dizendo: “esse leite é meu, vai buscar outro”! Logo apareceu diante de mim uma senhora sorridente, com a blusa molhada de tanto leite que jorrava daqueles seios enormes e trazia nas mãos duas garrafas cheias separadas para Milena.
Era apenas mais um dia na minha longa peregrinação, em busca de leite materno para nossa filha. Fofinha por mais que quisesse e se esforçasse não conseguia produzir. Seus seios secaram completamente! Talvez em função da apreensão e tristeza causadas pelo nascimento prematuro. Milena nasceu com sete meses pesando 950 gramas!
Foi um tempo muito difícil. Eu saía todos os dias bem cedo, em busca do precioso líquido. Muitas mulheres que estavam amamentando naquele tempo, generosamente dividiam conosco. Mulheres abençoadas e abençoadoras, como eu gostaria de abraçá-las novamente! Foi sem dúvida uma das muitas provas de que Deus estava presente e cuidando de nós.
Ainda marcados pela frustração da primeira gravidez, interrompida aos seis meses, por hipertensão arterial, aguardávamos com muita ansiedade e medo, apesar das orações, a chegada da nossa menina.
E ela chegou no dia nove de junho de 1994 às 16:42h, sob um forte clamor pela manifestação do poder de Deus.
Quando a enfermeira me chamou para ver Milena, quase não acreditei! Pude tocar nossa filha pela primeira vez através da portinha da incubadora. Minha mão literalmente cobriu totalmente aquele corpinho frágil. Orei em silêncio e pedi a Deus que me desse força para agüentar, pois era muito difícil acreditar que ela suportaria tudo aquilo.
Foram dois meses de luta pela vida e de espera até que pudéssemos levá-la para casa.
A busca diária do leite, o tratamento médico delicado, a saudade apertando o peito, pois só podíamos vê-la duas vezes por dia no período de internação, enfim, uma barra pesada, mas Deus foi fiel!
A Ele toda a honra e toda a glória!
O milagre aconteceu!
Júlio Elcio (19/01/2007)
Era apenas mais um dia na minha longa peregrinação, em busca de leite materno para nossa filha. Fofinha por mais que quisesse e se esforçasse não conseguia produzir. Seus seios secaram completamente! Talvez em função da apreensão e tristeza causadas pelo nascimento prematuro. Milena nasceu com sete meses pesando 950 gramas!
Foi um tempo muito difícil. Eu saía todos os dias bem cedo, em busca do precioso líquido. Muitas mulheres que estavam amamentando naquele tempo, generosamente dividiam conosco. Mulheres abençoadas e abençoadoras, como eu gostaria de abraçá-las novamente! Foi sem dúvida uma das muitas provas de que Deus estava presente e cuidando de nós.
Ainda marcados pela frustração da primeira gravidez, interrompida aos seis meses, por hipertensão arterial, aguardávamos com muita ansiedade e medo, apesar das orações, a chegada da nossa menina.
E ela chegou no dia nove de junho de 1994 às 16:42h, sob um forte clamor pela manifestação do poder de Deus.
Quando a enfermeira me chamou para ver Milena, quase não acreditei! Pude tocar nossa filha pela primeira vez através da portinha da incubadora. Minha mão literalmente cobriu totalmente aquele corpinho frágil. Orei em silêncio e pedi a Deus que me desse força para agüentar, pois era muito difícil acreditar que ela suportaria tudo aquilo.
Foram dois meses de luta pela vida e de espera até que pudéssemos levá-la para casa.
A busca diária do leite, o tratamento médico delicado, a saudade apertando o peito, pois só podíamos vê-la duas vezes por dia no período de internação, enfim, uma barra pesada, mas Deus foi fiel!
A Ele toda a honra e toda a glória!
O milagre aconteceu!
Júlio Elcio (19/01/2007)
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