segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

E Quando a Velhice chegar

Eu ainda aguardava minha bagagem junto à esteira rolante do aeroporto, quando o telefone celular tocou.

- “Papai está passando mal, você tem que vir pra cá agora!” Disse minha irmã com a voz bastante preocupada.

Chegando ao posto de atendimento médico, a cena que vi cortou meu coração! AVC hemorrágico! Seu lado direito e a fala estavam comprometidos!

Começava naquela noite, véspera do dia da Independência do Brasil, uma jornada de sofrimento, dedicação e muito aprendizado.

Meu pai sempre foi um homem de vida simples, de muitos amigos e aparentemente sem vícios que poderiam lhe causar grandes males no futuro. De pouca conversa e muito trabalho, era do tipo conservador, provavelmente fruto de uma criação familiar também muito conservadora.

Já no hospital, internado, além das seqüelas decorrentes do AVC, veio à tona uma deficiência renal já existente, agora agravada pelo Acidente Vascular Cerebral.

Eu ali de pé num canto do quarto, com o coração apertado, observava aquele senhor de setenta e três anos de idade, sendo virado e revirado por jovens enfermeiras, que com técnica e paciência, lhe davam banho, trocavam a fralda e limpavam suas fezes e urina. Isso mesmo! Ele estava usando fraldas! Voltara a ser criança novamente. Dependente de tudo e de todos!

Enquanto acompanhava o trabalho das “meninas”, por um momento afastei da mente a preocupação com a doença e fiquei a pensar na importância da enfermagem, não apenas como profissão, mas também como missão de vida! Era um grupo de alunas da FAESA, muito bem orientadas pela professora Maristela.

Com a cautela e dúvidas normais de quem está “estreando” no ofício, demonstraram segurança nas ações. Não ficaram constrangidas diante da nudez de meu velho pai, nem desanimadas com o esforço físico e o mau cheiro que tiveram de enfrentar.

Num gesto de profunda sensibilidade, a professora Maristela aproximou-se da mulher do meu pai, que chorava de tristeza noutro canto do quarto, lhe deu um abraço confortador e falou palavras de otimismo. Mais do que uma aula de enfermagem, a Mestra deu naquele momento, uma verdadeira lição de vida!

Terminado o trabalho de higiene, conversei um pouco com Mariana e Priscila sobre a escolha daquela profissão e suas expectativas futuras. “Escolhemos a enfermagem porque gostamos de ajudar as pessoas”, me disseram elas com uma segurança de emocionar qualquer ser humano. Nós, sociedade e Governo, precisamos valorizar cada vez mais esses profissionais da vida.
Foi muito bom constatar também a excelente qualidade dos serviços prestados pelo Hospital Evangélico, que a despeito das dificuldades normais de uma instituição que depende de contribuições, mantém um alto padrão de limpeza, atendimento, competência e simpatia de seus profissionais. Sou muito grato por tudo isso!

Enquanto as enfermeiras cuidavam do papai, percebi uma lágrima escorrer-lhe pelo canto do olho. Era a dor do sofrimento psicológico, do constrangimento de ser tocado nas partes mais íntimas, sem poder se cobrir ou reagir.

Essa experiência difícil me levou a refletir sobre o tempo da velhice, suas doenças e dificuldades. Um período da vida para o qual talvez muitos de nós não estejamos preparados e nem nos preparando.

Adotar um estilo de vida saudável, manter-se informado sobre as doenças e o modo de evitá-las, visitar o médico regularmente e manter um diálogo franco e aberto com o cônjuge e os filhos, são práticas que poderão nos proporcionar uma velhice muito mais agradável.

O sábio escritor bíblico, em Eclesiastes 12.1-8, descreve de forma bem real, o sofrido quadro da velhice. Um tempo de braços e pernas enfraquecidos, número de dentes reduzidos, visão, fala e audição diminuídas, medo e espanto constantes, fraqueza e falta de apetite. A morte parece se aproximar rapidamente de forma assustadora! A palavra de Deus, através do texto sagrado, nos dá o seguinte conselho diante desse quadro: “Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade”.

Buscar a Deus na juventude, será sem sombra de dúvida o melhor preparo para a velhice!


Vitória, 02 de outubro de 2007
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Júlio Elcio dos Santos
Analista Administrativo da VALE e
Estudante de Administração de Empresas da Faculdade Estácio de Sá de Vitória